Estágio do Desenvolvimento Infantil

Segundo a Teoria de Piaget

Piaget, quando descreve a aprendizagem, tem um enfoque diferente do que normalmente se atribui à esta palavra. Piaget separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento. Para Piaget, a aprendizagem refere-se à aquisição de resposta particular, aprendida em função da experiência, obtida de forma sistemática ou não.
Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato, sendo este o responsável pela formação dos acontecimentos. Piaget, quando postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança, descreve, basicamente, 4 estados, que ele próprio chama de fases de transição (PIAGET, 1975). Essas fases são:

  • Sensório-motor (0 – 2 anos)
  • Pré-operatório (2 – 7,8 anos)
  • Operatório-concreto (8 – 11 anos)
  • Operatório-formal (11 – 12 anos até a vida adulta)

Sensório-motor (0 – 2 anos)

Neste estágio, a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. Também é marcado pela construção prática das noções do objeto, espaço, causalidade e tempo. Os esquemas vão “pouco a pouco, diferenciando-se e integrando-se, no mesmo tempo em que o sujeito vai se separando dos objetos podendo, por isso mesmo, interagir com eles de forma mais complexa.”
Exemplos:

O bebê pega o que está em sua mão; “mama” o que é posto em sua boca; “vê” o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca.

Pré-operatório (2 – 7,8 anos)

É nesta fase que surge na criança, a capacidade de substituir um objeto ou
acontecimento por uma representação, e esta substituição é possível, conforme Piaget, graças à função simbólica. Assim este estágio é também muito conhecido como o estágio da inteligência simbólica.

Contudo, a atividade sensório-motor não está esquecida ou abandonada, mas refinada e sofisticada, pois verifica-se que ocorre uma crescente melhoria na sua aprendizagem, permitindo que a mesma explore melhor o ambiente, fazendo uso de mais e mais sofisticados movimentos e percepções intuitivas.

A criança deste estágio

  • É egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstratamente, no lugar do outro.
  • Não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos por quês). Já pode agir por simulação, “como se”.
  • Possui percepção global sem discriminar detalhes.
  • Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.

Exemplos:

Mostram-se para a criança, duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona situações.

Operatório-concreto (8 – 11 anos)

Neste estágio a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade, sendo então capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade.
Apesar de não se limitar mais uma representação imediata, depende do mundo concreto para abstrair. Um importante conceito desta fase é o desenvolvimento da reversibilidade, ou seja, a capacidade da representação de uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformação observada.

Exemplos:

Despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de “refazer” a ação.

Operatório-formal (8 – 11 anos)

É neste momento que as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento. A representação agora permite à criança uma abstração total, não se limitando mais a representação imediata e nem às relações previamente existentes. Agora é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e buscar soluções, sem depender mais só das observações da realidade. Em outras palavras, as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas.

Exemplos:

Se lhe pedem para analisar um provérbio como “de grão em grão a galinha enche o papo”, a criança trabalha com a lógica da ideia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos.

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